
Destaques
- Estudo analisou as alterações de parâmetros cardíacos e sua correlação com os níveis de gordura corporal frente ao estresse mental agudo
- A redução da atividade parassimpática é um fator de risco para eventos cardíacos
- O estudo irá colaborar para elaboração de estratégias de prevenção de doenças cardiovasculares, como controle dos níveis de gordura corporal, principalmente em bombeiros.
Grupo de pesquisa liderado pelo Prof. Dr. Guilherme F. Speretta no Laboratório de Biologia Cardíaca & Vascular (CardioVasc) do CFS/UFSC identificou que o estresse mental agudo contribui para elevação da frequência cardíaca e pressão arterial média associado a redução da atividade parassimpática cardíaca em bombeiros, sendo este último um importante fator de risco para eventos cardíacos nesses trabalhadores. Essas respostas estão atenuadas em bombeiros com maior adiposidade, podendo indicar maior risco para desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Os dados foram publicados em fevereiro no International Journal of Cardiovascular Sciences.
O estudo foi conduzido em vinte e cinco bombeiros da Brigada de Incêndio de Santa Catarina os quais foram submetidos ao teste de cores e palavras, conhecido como teste de Stroop, para indução de estresse mental agudo e avaliação dos parâmetros cardíacos e corporais. Neste teste são apresentados os nomes das cores porém a cor da palavra é diferente, enquanto o participante ainda ouve diferentes nomes de cores. Em seguida, o participante fala que falar a cor da palavra. Este é um importante teste para induzir alterações cardiovasculares.
O estudo demonstra a relevância do controle dos índices de gordura corporal e planejamento de estratégias de intervenção para a prevenção de doenças cardiovasculares em trabalhadores submetidos a situações agudas de estresse mental, como os bombeiros. O grupo destaca que a avaliação dessas respostas foram feitas apenas em homens, mas que é importante também serem avaliadas em mulheres.
Acesse o artigo na íntegra pelo link: https://ijcscardiol.org/article/heart-rate-reactivity-to-acute-mental-stress-is-associated-with-parasympathetic-withdrawal-and-adiposity-in-firefighters/
Em artigo recentemente publicado no renomado periódico científico Nature Communications, professora do Departamento de Ciências Fisiológicas, Profa. Dra. Renata Lataro, e sua estudante, Laís Alflen, em colaboração com pesquisadores da Universidade de Auckland (Nova Zelândia) e da Universidade de São Paulo (FMRP-USP) mostraram resultados promissores de um novo medicamento para tratar a insuficiência cardíaca, uma das principais doenças cardiovasculares.
Este medicamento, conhecido como AF-130, foi testado em um modelo animal de insuficiência cardíaca. Os pesquisadores descobriram que este medicamento melhorou a capacidade do coração de bombear sangue.
Quando uma pessoa sofre um ataque cardíaco, uma provável consequência será o desenvolvimento de insuficiência cardíaca. Nesta situação, o cérebro responde ativando o sistema simpático, a resposta de “luta ou fuga”, como forma de estimular o coração a bombear mais sangue. No entanto, o cérebro persiste com esta ativação do sistema nervoso, mesmo quando já não é necessária, o que contribui para a redução da qualidade e expectativa de vida do doente. Este estudo revelou um novo medicamento capaz de moderar a atividade nervosa do cérebro para o coração, revertendo, assim, o declínio progressivo da função cardíaca na insuficiência cardíaca. Além disso, a parte do cérebro que envia impulsos nervosos para o coração também controla a respiração. Portanto, esta droga tem uma função dupla, reduzindo a resposta de “luta ou fuga” enquanto também controla as alterações respiratórias apresentadas pelos pacientes com insuficiência cardíaca. Essas descobertas têm potencial real para melhorar o bem-estar e a expectativa de vida das pessoas que vivem com essa doença. Acesse aqui o trabalho na íntegra.
Imagem: Cardiométodo
Pesquisa desenvolvida no Laboratorio de Neurobiologia da Dor e Inflamação (LANDI) e coordenada pela Profa. Dra. Morgana Duarte da Silva, encontrou propriedades anti-inflamatórias, analgésicas e antioxidantes em uma planta bastante comum no sul do Brasil: a grumixama ou cereja-brasileira (Eugenia brasiliensis). A grumixameira ocorre na mata Atlântica desde o sul da Bahia até Santa Catarina, mas infelizmente encontra-se entre as espécies em extinção, devido à procura por sua madeira. A pesquisa foi publicada em fevereiro de 2023 na revista científica Journal of Ethnopharmacology e mostrou que animais tratados com o extrato produzido a partir das folhas de Eugenia brasiliensis tiveram uma melhora significativa em sintomas de dor e redução de moléculas inflamatórias e oxidantes. Esses resultados são promissores e representam um novo caminho para o tratamento da dor e inflamação a partir de uma planta medicinal brasileira. Esse estudo também nos mostra a importância de preservarmos a nossa biodiversidade. Clique aqui para acessar o artigo.
Foto: Eugenia brasiliensis (grumixama) – Wikipédia
Vômito e náusea são comuns em pacientes submetidos à quimioterapia para tratamento de câncer. Com o objetivo de amenizar tais sinais e sintomas nesses pacientes, os tratamentos quimioterapicos costumam incluir um coquetel antiemético visando tratamento da náusea induzida por quimioterapia, que pode incluir uma mistura de dexametasona (um glicocorticoide) e olanzapina (um antipsicótico de segunda geração). Entretanto, embora o coquetel antiemético proporcione bem estar aos pacientes, é sabido que a tanto a olanzapina quanto a dexametasona possuem efeitos obesogênicos e diabetogênicos quando administrados isoladamente, gerando uma preocupação adicional pela possibilidade desses efeitos colaterais se somarem quando tais drogas são administradas em conjunto. Um trabalho desenvolvido no Laboratório de Investigação de Doenças Crônicas – LIDoC, do Departamento de Ciências Fisiológicas, sob coordenação do Prof. Dr. Alex Rafacho demonstrou a inexistência de efeitos adversos aditivos quando a olanzapina e a dexametasona são administradas combinadas para fins antieméticos em ratos e ratas. O estudo concluiu que quando administrada em conjunto com a dexametasona, a olanzapina não exacerbou os efeitos da dexametasona sobre o metabolismo da glicose e lipídeos o que soa como uma boa notícia para os usuários. O trabalho foi fruto da dissertação de mestrado da acadêmica Flávia Natividade da Silva junto ao PPG em Farmacologia do CCB da UFSC. O trabalho também contou com a participação de outros acadêmicos dos PPGs em Farmacologia e do Multicêntrico em Ciências Fisiológicas do CCB e foi publicado na revista Life Sciences. O trabalho pode ser acessado aqui.
Imagem: shutterstock