Nem alarme, nem indiferença: o que um estudo que expõe ratas grávidas ao RoundUp® nos mostra?

06/04/2026 13:40

  A exposição a substâncias presentes no nosso cotidiano nos remete a uma pergunta cada vez mais incômoda: até que ponto elas podem afetar nossa saúde — especialmente em momentos críticos como a gestação?

  Um novo estudo pré-clínico, envolvendo animais de laboratório, buscou responder a essa questão ao investigar os efeitos da exposição, durante a gravidez, a um herbicida à base de glifosato amplamente utilizado, o RoundUp®.
Utilizando um modelo com ratas, os pesquisadores avaliaram o impacto de doses consideradas seguras pelas agências regulatórias — ou seja, níveis próximos aos que humanos podem estar expostos no ambiente. O foco foi compreender não apenas os efeitos nas mães durante a gestação, mas também possíveis consequências para os filhos ao longo da vida, especialmente no metabolismo da glicose, um ponto central na prevenção de doenças como obesidade e diabetes.
De modo geral, a exposição durante a gestação não provocou alterações metabólicas evidentes nas mães nem nos descendentes. Parâmetros como peso corporal, ingestão alimentar, níveis de glicose no sangue e resposta à insulina permaneceram estáveis, mesmo quando os animais foram submetidos a um desafio metabólico adicional na vida adulta.

  No entanto, isso não significa ausência total de efeitos. O estudo identificou alterações sutis no fígado, órgão central no controle do metabolismo. Entre elas, destacam-se a redução dos estoques de glicogênio (uma forma de armazenamento de energia) e as mudanças nos mecanismos que regulam o funcionamento dos genes — os chamados processos epigenéticos. Essas alterações não geraram preocupações evidentes no curto prazo, mas levantam a possibilidade de efeitos mais discretos ou de longo prazo, que nem sempre são capturados por avaliações tradicionais.
Outro achado relevante foi observado em experimentos com células: formulações comerciais do herbicida mostraram-se mais tóxicas do que o glifosato isolado, sugerindo que outros componentes desses produtos podem contribuir para seus efeitos biológicos. Esse ponto reforça a importância de avaliar o produto final utilizado no ambiente, e não apenas o ingrediente ativo.
Do ponto de vista do desenvolvimento dos filhotes, observaram-se atrasos leves e transitórios em reflexos neurológicos, que se normalizaram com o tempo. Ainda assim, a literatura científica sugere que pequenas alterações no início da vida podem, em alguns casos, ter repercussões futuras — o que merece atenção contínua.

Limitações do estudo
Como todo estudo experimental, este trabalho apresenta limitações importantes. Trata-se de um modelo animal, o que implica que os resultados não podem ser extrapolados diretamente para humanos. Além disso, os animais não foram expostos a outros fatores comuns na vida real — como dietas inadequadas ou múltiplos estressores ambientais — que poderiam potencializar os efeitos metabólicos. Também é possível que alterações mais sutis não tenham sido detectadas pelos métodos empregados.

O que isso significa na prática?
Embora os resultados não apontem impactos metabólicos imediatos, reforçam que o fígado é um órgão sensível e que alterações moleculares e epigenéticas podem ocorrer mesmo em doses consideradas seguras. Isso sugere que as normas de segurança podem precisar de revisões futuras para considerar os efeitos de longo prazo e a toxicidade das misturas completas comercializadas no mercado.
Este trabalho destaca a importância de continuarmos monitorando a presença desses compostos no ambiente e na nossa mesa, buscando sempre uma produção agrícola que equilibre produtividade e saúde pública

A mudança alimentar melhora os parâmetros metabólicos e cognitivos durante o envelhecimento no sexo feminino

18/11/2024 11:42

Destaques

  • O estudo analisou os parâmetros metabólicos e comportamentais de camundongos fêmeas de meia idade quando há mudança de dieta hiperlipídica para dieta padrão.
  • A dieta hiperlipídica oferecida por 12 semanas resultou no aumento do peso, intolerância à glicose e prejuízo na memória e emocionais.
  • A mudança de uma dieta hiperlipídica para dieta padrão pelo período de 4 semanas, foi capaz de melhorar os parâmetros metabólicos e comportais.

      Em estudo desenvolvido durante seu mestrado no Neuroscience Coworking Lab na UFSC, a Sara Pereira Braga e colaboradores identificaram que a mudança do padrão alimentar, de uma dieta hiperlipídica para uma dieta padrão, foi capaz de melhorar os parâmetros metabólicos e comportamentais induzidos pela obesidade. A obesidade é mais prevalente no sexo feminino, e há evidências que demonstram uma relação entre obesidade feminina, idade avançada e depressão. O estudo foi publicado na revista Behavioural Brain Reserach.

   O estudo foi conduzido utilizando camundongos fêmeas da linhagem C57Bl6 de 12 meses de idade, os quais foram alimentados por 12 semanas com dieta padrão ou hiperlipídica. Da 12° até a 16° semana, todos os animais receberam dieta padrão. Ao longo desse período, os parâmetros metabólicos e comportamentais foram conduzidos.

      No estudo, os autores identificaram que o consumo de dieta hiperlipídica por camundongos fêmeas de meia idade (12 meses de vida) resulta no aumento do peso, intolerância à glicose e prejuízos na memória. A mudança do padrão alimentar para uma dieta padrão, por apenas 4 semanas, foi capaz de melhorar os parâmetros metabólicos, de memória e emocionais.

      Acesse o artigo na íntegra pelo link:

https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0166432820306689?via%3Dihub

 

A hiperativação simpática aumenta a liberação de corticosterona por adipócitos perivasculares

01/07/2024 10:13

 Destaques

  • O estudo analisou os níveis de corticosterona liberados por adipócitos derivados do tecido adiposo perivascular e macrófagos após estimulação crônica dos receptores β-adrenérgicos.
  • A corticosterona foi sintetizada pela síntese de novo via aumento da expressão da enzima 11β-HSD1.
  • A hiperativação de receptores β3-adrenérgicos aumenta a expressão de 11β-HSD1 e corticosterona contribuindo para a disfunção vascular.

 

       Em estudo desenvolvido durante seu pós-doutoramento no Laboratório de Biologia Vascular na UNICAMP, a Profa. Jamaira A. Victorio e colaboradores identificaram que a hiperestimulação de receptores β-adrenérgicos com isoproterenol, um agonista β-adrenérgico, aumentou a liberação de corticosterona no tecido adiposo perivascular (PVAT) ou isoladamente no adipócito derivado do PVAT. A síntese de corticosterona ocorreu pela ativação da via de novo da corticosterona, via ativação da enzima 11β HSD-1, a qual converte o metabólito inativo em corticosterona, pelo receptor β3-adrenérgico. Esse conhecimento coloca o PVAT como um importante alvo terapêutico para doenças que cursam com a hiperativação simpática, como a hipertensão e insuficiências cardíaca.  O estudo foi publicado em maio na revista Endocrinology.

       O estudo foi conduzido utilizando PVAT, um depósito de tecido adiposo ao redor dos vasos sanguíneos, da aorta torácica de ratos, cultura primária de adipócitos derivados do PVAT e cultura primária de macrófagos. O tecido e as células foram incubados por 24h com isoproterenol. O PVAT e o meio condicionado das células e do PVAT foram utilizados para avaliar os níveis de corticosterona, expressão proteica e a função vascular da aorta.

       A incubação com antagonista do receptor β3-adrenérgico preveniu a disfunção vascular induzida pela hiperativação simpática induzida pelo isoproterenol, o aumento da expressão da enzima 11β HSD-1 e da liberação de corticosterona.

       Acesse o artigo na íntegra pelo link: https://academic.oup.com/endo/article/165/6/bqae053/7665821

Aumento da gordura corporal e redução da atividade parassimpática favorecem alterações da frequência cardíaca em situações de estresse mental agudo

13/05/2024 17:01

Destaques

  • Estudo analisou as alterações de parâmetros cardíacos e sua correlação com os níveis de gordura corporal frente ao estresse mental agudo
  • A redução da atividade parassimpática é um fator de risco para eventos cardíacos
  • O estudo irá colaborar para elaboração de estratégias de prevenção de doenças cardiovasculares, como controle dos níveis de gordura corporal, principalmente em bombeiros.

  Grupo de pesquisa liderado pelo Prof. Dr. Guilherme F. Speretta no Laboratório de Biologia Cardíaca & Vascular (CardioVasc) do CFS/UFSC identificou que o estresse mental agudo contribui para elevação da frequência cardíaca e pressão arterial média associado a redução da atividade parassimpática cardíaca em bombeiros, sendo este último um importante fator de risco para eventos cardíacos nesses trabalhadores. Essas respostas estão atenuadas em bombeiros com maior adiposidade, podendo indicar maior risco para desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Os dados foram publicados em fevereiro no International Journal of Cardiovascular Sciences.

    O estudo foi conduzido em vinte e cinco bombeiros da Brigada de Incêndio de Santa Catarina os quais foram submetidos ao teste de cores e palavras, conhecido como teste de Stroop, para indução de estresse mental agudo e avaliação dos parâmetros cardíacos e corporais. Neste teste são apresentados os nomes das cores porém a cor da palavra é diferente, enquanto o participante ainda ouve diferentes nomes de cores. Em seguida, o participante fala que falar a cor da palavra. Este é um importante teste para induzir alterações cardiovasculares.

  O estudo demonstra a relevância do controle dos índices de gordura corporal e planejamento de estratégias de intervenção para a prevenção de doenças cardiovasculares em trabalhadores submetidos a situações agudas de estresse mental, como os bombeiros. O grupo destaca que a avaliação dessas respostas foram feitas apenas em homens, mas que é importante também serem avaliadas em mulheres.

  Acesse o artigo na íntegra pelo link: https://ijcscardiol.org/article/heart-rate-reactivity-to-acute-mental-stress-is-associated-with-parasympathetic-withdrawal-and-adiposity-in-firefighters/

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